Pouco mais de 50% da população que vive na capital cearense têm acesso as redes de esgoto ou saneamento básico. Os dados são da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), que esse ano produziu diversas ações no sentido de alertar a população para a importância da correta manipulação dos resíduos sólidos.
Segundo o boletim informativo da CAGECE publicado em novembro de 2008, a CAGECE desenvolve ações educativas como visitas domiciliares, oficinas, seminários e reuniões para orientar os moradores sobre a forma correta de utilizar a rede de esgoto. De janeiro a setembro, somente em Fortaleza, as equipes sociais do Programa Sanear II e do Programa de Despoluição da Orla já realizaram 32.084 visitas domiciliares neste sentido. Em todo o Ceará, o Programa de Educação Sanitária sensibilizou 45.183 pessoas em 2008. A Superintendência do Meio Ambiente do Ceará (CEMACE) faz um constante monitoramento das praias da capital, destacando as praias impróprias para banhos e indicando as que estão em condições adequadas para receber os banhistas. Na manhã desta quarta feira, dia 26/11, a CEMACE ministrou uma palestra sobre resíduos sólidos para alunos da Escola Estadual de Educação Profissional situada na região metropolitana de Fortaleza.
Embora grande parte dos fortalezenses não seja atendida por serviços de tratamento de esgoto, a CAGECE informa que são recolhidos por dia 800 toneladas de resíduos sólidos de suas estações de tratamento, e a maior parte desses resíduos é lixo domestico que de alguma forma acaba sendo jogado nas galerias de esgoto. “A população por desconhecimento colabora com esse número de
lixo na rede de esgoto, quando jogam fraldas, plásticos e outros tipos de
materiais sólidos na rede” declara Hildel Freire, gerente de esgoto.
A companhia informa ainda que, somente em Fortaleza, existem 40 estações elevatórias de esgoto e 45 estações de tratamento desse esgoto. Porém, a principal estação é de Pré-Condicionamento do Esgoto (EPC), situada na Avenida Leste Oeste, e que possui uma vazão de 2,5 m3 por segundo, chegando a tratar 216 mil m3 de esgoto por dia
Mesmo com o grande volume de esgoto tratado existe quase a metade da população como demanda para aumento da capacidade de atuação da CAGECE. Sobre isso a companhia declara: “Com os investimentos previstos para essa área, esperamos aumentar essa cobertura para 75% a 80% em Fortaleza até 2010. A CAGECE já conta com recursos da ordem de R$ 330 milhões para investimento em esgotamento sanitário na capital”.
Segundo informações publicadas no site www.infoescola.com, efluente ou águas servidas, são todos os resíduos líquidos provenientes de indústrias e domicílios e que necessitam de tratamento adequado para que sejam removidas as impurezas e assim possam ser devolvidos à natureza sem causar danos ambientais e à saúde humana.
Geralmente a própria natureza possui a capacidade de decompor a matéria orgânica presente nos rios, lagos e no mar. No entanto, no caso dos efluentes essa matéria é em grande quantidade exigido um tratamento mais eficaz em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) que, basicamente, reproduz a ação da natureza de maneira mais rápida.
De modo geral, o tratamento do esgoto é feito em quatro níveis básicos: nível preliminar, tratamento primário e tratamento secundário que tem quase a mesma função, e tratamento terciário ou pós-tratamento. Cada um deles têm, respectivamente, o objetivo de remover os resíduos sólidos suspensos (lixo, areia), remover os sólidos dissolvidos, a matéria orgânica, e os nutrientes e organismos causadores de doenças.
No nível preliminar são utilizadas grades, peneiras ou caixas de areia para reter os resíduos maiores e impedir que haja danos as próximas unidades de tratamento, ou até mesmo, para facilitar o transporte do efluente.
No tratamento primário são sedimentados os sólidos em suspensão que vão se acumulando no fundo do decantador, formando o lodo primário que depois é retirado para dar continuidade ao processo.
Em seguida, no tratamento secundário, os microorganismos irão se alimentar da matéria orgânica convertendo-a em gás carbônico e água. E no terceiro e último processo, também chamado de fase de pós-tratamento,que são removidos os poluentes específicos como nitrogênio e fósforo,bactéria e fungos. Isso quando se deseja que o afluente tenha qualidade superior, ou quando o tratamento não atingiu a qualidade desejada.
Quando se trata de efluentes industriais a própria empresa faz o tratamento de esgoto e exige que a indústria monitore a qualidade dos afluentes mandados para a estação. No caso de haver substâncias muito tóxicas ou que não possam ser removidas pelo tratamento oferecido pela ETE, a indústria é obrigada a construir a sua própria ETE para tratar seu próprio efluente.
Francisco José Ferreira, engenheiro civil da cagece, fala sobre o projeto piloto de transformar gás combustível a partir do esgoto: “O gás metano liberado pelo esgoto é altamente prejudicial ao meio ambiente.
É um gás 21 vezes mais forte do que o gás carbônico, portanto, colabora mais
rapidamente com o efeito estufa.A Cagece nesse projeto piloto está
transformando esse gás em combustível. Produzir essa energia não é o
objetivo principal da Companhia, mas se trata de um potencial energético que
pode ser aproveitado”, declara o engenheiro.
A organização das Nações Unidas (ONU) lançou oito metas de desenvolvimento para o milênio. Dentre as quais está o desenvolvimento de sistemas de saneamento favoráveis à melhoria das condições de vida no planeta.
Tendo em vista que 2008 foi escolhido pela ONU como ano do saneamento, a proximidade do final deste ano requer um balanço, acerca dos resultados alcançadas para atingir os objetivos pretendidos. Os dados fornecidos pela CAGECE podem ser úteis para esse balanço.




